terça-feira, 12 de junho de 2012

     Famílias brasileiras

     De acordo com o IBGE a família brasileira vem mudando muito nas últimas décadas. Há cinquenta anos atrás a separação entre casais era bem menor, enquanto o número de filhos era maior. Só o marido trabalhava fora, enquanto a mulher ficava responsável pela casa e pelos filhos.
     Com o processo de urbanização acelerado à partir da década de 70, as famílias que eram típicamente rurais, tiveram que se adaptar às cidades (moradias/trabalho/transporte).
     As mulheres foram se tornando mais independentes, ingressando cada vez mais no mercado de trabalho, deixando de ser apenas do lar. Atualmente a maioria das mulheres acima dos 21 anos de idade está inserida no mercado de trabalho. Nas universidades já são maioria.
     Mas e aí?!...
     Com pais e mães trabalhando como ficou a educação dos filhos? Com mulheres mais independentes como ficou a relação entre os casais?
     Em nosso país a separação entre casais é cada vez maior, cerca de 25% dos casais se separam antes dos 10 anos de casamento. Cerca de 1/3 das famílias brasileiras são comandadas pelas mulheres.
     É cada vez maior o número de irmãos com pais e mães diferentes. Ou seja, estamos diante de uma sociedade mais complexa em suas relações.
                                         Prof. Ronaldo J. da Silva

Família – escola e sociedade.
             Princípios – valores e os jovens da periferia.
     Nas periferias uma grande parcela dos jovens está aderindo ao modismo do mundo do crime; incorporam valores, atitudes e hábitos que se distanciam dos valores defendidos pela escola e pela família. Esta situação provoca uma relação de conflitos (desentendimentos, discussões, brigas, inimizades, separações). Valorizam o que é errado no senso comum ou quem pratica coisas erradas.
     É muito comum entre esses jovens valorizar o colega ou a colega que responde ou satiriza professores, como se fosse uma atitude correta. Jovens que cometeram infrações graves e tiveram que ser internados em Fundações, quando saem desses estabelecimentos são exaltados pelos colegas, como se fosse algo positivo, uma promoção. Valores reproduzidos pelo mundo do crime. Ao invés da internação funcionar como uma medida de reflexão, arrependimento e mudança de comportamento, ocorre muitas vezes o contrário.
     Supervalorizam atitudes do crime, falam de acordo com suas gírias, palavrões; desvalorizando aqueles que tem boas condutas (estudo, educação, respeito aos pais, professores, falam corretamente, tem bons hábitos). Nos últimos anos estamos observando um grande número de músicas produzidas com os mesmos objetivos: fazer apologia ao crime, estimular a violência, desvalorizando a mulher, reduzindo a mero objeto sexual; fazendo autopropaganda do uso de drogas, entre outros. Músicas que são incorporadas ao cotidiano e cultura de muitos jovens, principalmente da periferia.
     Não poderia deixar de citar o papel de uma parcela da mídia (rádio, TV, internet) que muitas vezes reproduzem essa cultura através de suas programações. Podemos citar o programa “Pânico”, um dos mais assistidos pelos jovens, onde ridicularizar ou menosprezar o outro é um de seus principais atrativos; também exploram de forma negativa a exposição da mulher (desprovidas de inteligência, onde o importante é apenas expor a sexualidade).
     Enfim, quais são as conseqüências deste contexto cultural negativo no desenvolvimento de nossos jovens?
     - Tornam-se pessoas egoístas, insensíveis, não se preocupam com o próximo, desvalorizar ou ridicularizar é mais legal do que elogiar ou reconhecer as boas qualidades do outro.
     - Descaso para com os estudos; para que estudar, se para traficar ou roubar não exigem estudos; ou, meus pais me dão o que preciso (comodismo).
     - Uma visão e prática que não constroem, não ajudam no desenvolvimento e preparação para o futuro. O errado é certo e o certo é errado. Inversão de valores. Ouvir os conselhos dos mais velhos para quê, se eu e meus amigos temos as mesmas opiniões!...
     O que está faltando nas famílias e na sociedade para mudar este contexto? Para que esses jovens percebam que essas atitudes não contribuem para a vida, pelo contrário, trazem mais violência!...    
                                                       Prof. Ronaldo José da Silva