segunda-feira, 11 de julho de 2011

Convívio escolar - debater e refletir para construir.


Quando me perguntaram em um dos encontros do Convívio Escolar, organizado pela área da Educação da Prefeitura de São Paulo como eu via o problema da indisciplina e da agressividade no ambiente escolar. Não tive dúvidas ao responder. Dois fatores são fundamentais para que a “violência” seja combatida no ambiente escolar: Primeiro a visão e prática da equipe gestora. A equipe gestora não pode atuar apenas como “bombeiro”, ou seja, ficar apagando os focos de incêndios que ocorrem na escola, sem ter uma visão mais abrangente das causas que promovem esses incêndios. Nem todos os gestores conseguem entender que a indisciplina ou a violência é resultado de um conjunto de fatores. Portanto, para resolver ou diminuir esses problemas é necessário um conjunto de ações. Posso citar alguns exemplos de causas que promovem ou aumentam a violência dentro e fora da sala: - o momento da entrada dos alunos mal organizado; a correria e gritaria pelos espaços internos da escola durante a troca de aula; durante os intervalos; na hora da saída ou em outros diversos momentos.
O segundo fator que é fundamental para combater a “violência” no ambiente escolar está relacionado à necessidade da equipe escolar trabalhar com projetos coletivos. Há muito tempo se fala neste assunto, mas ainda são poucas as escolas que realmente colocam projetos coletivos em prática e que, esses se tornem parte do cotidiano escolar. Posso citar como exemplo o Projeto Disciplinar. Quais são as escolas que realmente tem um, construído de forma democrática, ouvindo os diversos segmentos e que toda a comunidade escolar o conheça de fato? Um Projeto que traga um conjunto de ações bem definidas e debatidas, que se inicie na primeira semana do 1º bimestre e se prolongue no decorrer do ano, com reflexões e debates. Que não fique apenas no papel e tenha apenas ações punitivas.
Estou fazendo uma defesa do trabalho com “Projetos”, porque faz parte do meu cotidiano escolar. Há mais de dez anos tenho essa prática e os resultados são muito mais significativos, tanto para o professor quanto para os alunos. Aos poucos fui abandonando a prática conteudista e inserindo os projetos. Você pode trabalhar os diversos temas e conteúdos na forma de projetos. Precisa definir qual objetivo pretende alcançar, definir como será o início e o fim do Projeto e as estratégias e recursos que serão utilizados. O aluno precisa ter ciência de tudo isto, para se envolver e se organizar. Não é fácil, porque exige muito mais do professor. Mas com o tempo e a prática vamos percebendo que vale a pena.
Os Projetos podem ser trabalhados dentro da sua disciplina, por áreas afins ou coletivos que envolva toda a comunidade escolar.

Ronaldo José da Silva/Professor de Geografia
da Rede Municipal de São Paulo e do Estado.

sábado, 2 de julho de 2011

Projeto "Escola Ensina Família Educa"


   
EMEF PRES. JUSCELINO K. DE OLIVEIRA        
     
Projeto: “Escola ensina – Família educa”.

Relato: Diante da verificação do aumento da indisciplina e violência no ambiente escolar, em Reunião Pedagógica decidimos desenvolver um Projeto voltado para o Convívio Escolar. O Projeto “Escola ensina – Família educa” nasceu desta necessidade. O objetivo foi promover debates e reflexões sobre a realidade escolar, abordando aspectos positivos e negativos, ouvindo todos os segmentos, para que fossem desenvolvidas ações coletivas com a finalidade de construir um ambiente mais preparado e organizado para enfrentar os desafios que o mundo escolar e a sociedade nos apresentam. O título é uma provocação, pois sabemos que tanto a escola como a família ensinam e educam. O Projeto propõe um diálogo constante entre escola e família no sentido de refletir sobre as responsabilidades e limites de ambos no desenvolvimento do educando.

1- No primeiro momento verificamos quais ações já havia na escola com resultados positivos:
-Organização estudantil (Representantes de sala e Grêmio Estudantil);
-Regimento Disciplinar produzidos pelos próprios alunos;
-Projeto dos professores de módulo com temas voltados para a cidadania e ética;
-Reuniões bimestrais entre pais e mestres e Reuniões específicas envolvendo o grupo de alunos com problemas disciplinares, seus responsáveis e o grupo de professores.

2- Diagnóstico: Para tornar o Projeto transparente, democrático e participativo, procuramos ouvir todos os segmentos da escola (professores, alunos, funcionários, pais, equipe gestora). Com isto obtivemos um diagnóstico geral dos pontos positivos e negativos da escola. Produzimos então um mapeamento dos problemas da escola e ouvimos as propostas desses segmentos.

3- AÇÕES COLETIVAS:
  • Campanha para que todos os segmentos da escola conheçam o Regimento Disciplinar produzido pelos alunos representantes de sala . Foram colocados cartazes nas diversas dependências da escola, além das salas de aula. Foi debatido com os pais em reuniões.
  • Cadernos Relatórios. Com o objetivo de produzirmos registros diários e por aula, foi produzido para cada sala um caderno diário. A responsabilidade por este caderno é de todos, mas principalmente dos alunos representantes de sala e dos professores. O caderno é levado pelo professor na primeira aula e retorna na última aula. Só fazem anotações no caderno o professor, os inspetores ou equipe gestora. Este caderno fica a disposição dos responsáveis quando vem à escola obter informações sobre seus filhos. É apresentado nas reuniões de pais para que os responsáveis assinem e tomem ciência do comportamento do aluno.
  • DESAFIOS. As salas são avaliadas e recebem pontuação de acordo com os itens do Regimento Disciplinar. (Quem avalia e pontua são os professores, inspetores, equipe gestora e os próprios alunos através de auto-avaliação). O resultado do Desafio vira uma média estatística da sala. Esse resultado serve para reflexão dos alunos e dos educadores e para orientar a equipe escolar em ações que possam ser desenvolvidas para a melhoria do comportamento e do rendimento dos alunos.
  • Campanha “Aonde posso correr na escola?” Com o objetivo de conscientizar os alunos sobre os perigos de correr em locais inadequados dentro da escola, foram desenvolvidos cartazes e placas de sinalização, textos para serem debatidos. Os alunos do Grêmio visitam as salas falando sobre a Campanha e anotando relatos dos alunos.  
·         Assembléias gerais com os alunos representantes de sala para refletir, diagnosticar, reivindicar e propor projetos que visem a melhoria da escola.
·          Reuniões específicas durante a JEIF para debater sobre os problemas disciplinares.
·         Foi aprovado coletivamente que os alunos que possuem alto grau de indisciplina e não contribuem para o bom convívio escolar não participarão das excursões e torneios inter-classes realizados durante o ano.

“A escola que tem projetos coletivos contínuos  voltados para o convívio escolar, ao longo dos anos terão apenas problemas pontuais relacionados à indisciplina e não generalizados”.
                                                       
                                                    

                                                      Professor responsável: Ronaldo José

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Em busca do 1º emprego.

Estudantes batem perna pela cidade para conseguir prática profissional em empregos temporários de final de ano.
Buscar o primeiro emprego em pleno período de férias pode parecer um contrasenso. Mas é justamente nessa época que muitos jovens aproveitam a folga das aulas para redigir seu primeiro currículo e sair em busca de um emprego temporário.
Esse já famoso “bico de final de ano” serve como primeira experiência profissional e também rende os fundos necessários para cursos, passeios, viagens, roupas, baladas e afins. (...)
Juliana Gomes, 16 anos, rodava no saguão do shopping Pátio Higienópolis sem saber ao certo onde ir. “Sei que em loja de senhora não rola. Acho que vou deixar meu currículo em lojas de brinquedo e de roupa de criança”, disse Juliana.
“Acho que gente como eu, menor de idade e sem experiência, eles só pegam em último caso”, conclui. Juliana não está totalmente enganada. A maior parte das oportunidades de emprego temporário – e não todas elas – pede que os candidatos tenham 18 anos ou mais.
De acordo com as leis de trabalho e com o (ECA) Estatuto da Criança e do Adolescente, a idade mínima para a admissão ao trabalho é de 14 anos (aprendiz), e os jovens de 16 e 17anos só podem trabalhar com algumas restrições. Entre elas está discriminado que esse jovem não pode trabalhar no período da noite nem fazer horta extra. Dois fatores muito comuns nos empregos de lojas de shopping, que ainda estendem o período de trabalho aos sábados e domingos. “Esses são alguns dos obstáculos legais que atrapalham o desempenho do jovem no comércio, já que aí é exigida uma disponibilidade maior”, confirma o Presidente da Associação Brasileira de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário, Edson Belini.

Folha de São Paulo, 20/11/2000.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Qual é a função da escola?


Ao analisar com olhos mais críticos o comportamento de muitos estudantes no espaço escolar nos últimos anos, perceberemos que, por diversos fatores, a escola não está sendo mais encarada como um espaço de aprendizagem, de construção do conhecimento. Para grande parte de nossos alunos, a escola se tornou, acima de tudo, o espaço de lazer, brincadeiras, da paquera, dos encontros. Este fato ou constatação muitas vezes é reforçado pela própria escola. Sem falar, nos meios de comunicação (filmes, novelas, seriados, etc.) que exploram muito mais o entretenimento e as relações pessoais, passando uma imagem irreal da escola. “Aprender de forma lúdica, requer planejamento, estratégias e objetivos. Não é só brincar por brincar”.
Não podemos permitir que a escola se transforme em área de lazer, na concepção do aluno. Não é essa a função da escola. Os momentos de recreação desenvolvidos na escola devem estar num contexto educacional, onde haja propostas e objetivos claros, com regras e normas definidas. É fundamental que os estudantes estejam bem esclarecidos da razão de ser dos momentos recreativos, inclusive nos seus intervalos.
Brincar por brincar no ambiente escolar, acaba confundindo a mente dos estudantes em relação à real função da escola, prejudicando todo o processo de desenvolvimento da aprendizagem.
Essa preocupação deve ser levada em consideração desde o primeiro ano do ensino fundamental até o último ano do ensino médio. Desfazer essa mentalidade que vem dominando o mundo escolar é nosso desafio.
A escola veio assumindo com o passar dos anos diversas responsabilidades ou funções que comprometeram a sua identidade. A escola e seus educadores precisam evoluir, mas não podem perder a identidade. Qual é nossa verdadeira função?
- Nem assistencialismo, nem autoritarismo. Promover o espaço de construção do saber em suas múltiplas formas.
Prof. Ronal do José da Silva/Geografia

Projeto Formatura na Escola (Sumie)



Projeto Comunicação Jornalistica


Reflexões sobre 2010.




Apesar de ter sido um ano muito agitado, com muitos feriados, a Copa do Mundo de Futebol e as eleições para o Executivo e Legislativo dos Governos Federal e Estadual, foi possível desenvolver junto com meus alunos e colegas educadores alguns projetos interessantes. Na EMEF JK no decorrer do ano trabalhamos o Projeto Comunicação Jornalística, no qual trabalhamos o Jornalismo em três esferas: Impresso (jornais e revistas), o Radiojornalismo e os Telejornais. Trabalhamos teoria e prática, onde todos os alunos tiveram a oportunidade de interagir, participar, criar.
Relacionando ainda com o Projeto Comunicação Jornalística, trabalhamos o Projeto Administração Pública, fazendo a relação entre a importância das eleições no país e o atendimento à população, refletindo sobre os cargos mais importantes e suas conseqüências para o desenvolvimento do país. Quem faz as leis? Por que pagamos impostos? Por que o voto é importante? O Brasil é um país democrático? Sempre houve democracia no Brasil? O que é democracia? O que é democracia participativa? O que é democracia representativa? Quem pode ser candidato às eleições no país? Partidos de direita e de esquerda – o que é isto?
Ainda na EMEF JK, fechamos o Projeto Organização estudantil, com as eleições do Grêmio Estudantil 2010/2011. A participação dos alunos foi muito interessante, com grande número de candidatos inscritos. A campanha eleitoral ocorreu dentro dos combinados, terminando com a eleição dos treze alunos mais votados. Uma lição de democracia.
Na outra escola onde leciono, EE Sumie Iwata, também trabalhei o Projeto Administração Pública, fazendo relações com os meios de comunicação. Consegui também dar inicio a um outro Projeto: O IBGE e o povo brasileiro. Com os dados mais atualizados de acordo com o último censo pretendo dar continuidade neste ano. Para finalizar o ano de 2010 na Escola Sumie, coordenei o Projeto Formatura na Escola, onde realizamos a Colação de Grau e Formatura dos alunos dos 3ºs anos da EJA e do Regular.